Dorival, o Pescador

a Dorival Caymmi (1914-2008)

Seu Dorival pescador
joga a rede no mar
traz uma bela canção
pra nossa gente cantar
 
É nosso mestre cantor
dos cantos de Iemanjá
de todos santos também
salve sinhô Dorivá
 
Diz que ele vive na areia
e não tem onde morar
em noite de lua cheia
Dorival põe-se a cantar
 
Seu violão canoeiro
navegando
vai encantando as canções
peixinhos que ele colhe pelo mar
 
Traz uma linda toada
para o nosso arraial
a noite tá que é um dia
joga a rede Dorival
 
O pessoal tá esperando
esperando
traz o teu canto de amor
bendito Dorival, o pescador
joga a rede no mar
 
Joga a rede
a rede, a rede
no mar
joga a rede no mar

Boi da cara preta, pega esse menino que tem medo de careta.

“É justo atribuir a Dorival Caymmi a autoria da Bahia como conhecemos hoje. Uma Bahia esparramada pelo país inteiro. Primeiro porque ele juntou todos os aspectos mais importantes, começando pelo povo. Ele cantou o povo da Bahia nominalmente, os lugares, as pessoas. Descreveu com minúcias aqueles lugares dos quais ele falava, seus ofícios, labores, amores, tudo aquilo encantou o Brasil todo”. – Gilberto Gil

• Ouça 106 músicas de Caymmi : https://www.ouvirmusica.com.br/dorival-caymmi/.

INDICAMOS:

• BIOGRAFIA: O mar e o tempo. CAYMMI, Stella. São Paulo: Editora 34. 2001.

CAYMMI e seu violão (Absolutamente genial!)

CAYMMI visita Tom (Um dueto sensacional em Saudades da Bahia – belíssimo disco)

CAYMMI e o mar (arranjos do imenso Léo Peracchi)

SITE do Mestre Dorival: tem tudo!: http://www.dorivalcaymmi.com.br

Caymmi e dois admiradores

Caymmi fala sobre suas composições TV Cultura Digital : https://www.youtube.com/watch?v=lJajIEuVnqA

OBS: Vídeos, documentários, e entrevistas – material importante para conhecer a obra de Dorival Caymmi.

IMPERDÍVEL: Artigo. de Paulo da Costa e Silva para revista Piauí – a melhor revista do Brasil: https://piaui.folha.uol.com.br/cancoes-praieiras/

Dorival Caymmi 100 anos: https://www.youtube.com/watch?v=UodveZyNOsg. FUNDAMENTAL:-

Caymmi – Dê lembrança a todos. Documentário sobre Dorival Caymmi (30 de abril de 1914 – 16 de agosto de 2008), filmado sob a direção dos irmãos Fábio Di Fiore e Thiago Di Fiore, 73 minutos. Participação:
Angela Maria, Bibi Ferreira, Dori Caymmi, Danilo Caymmi, Dinahir Caymmi,  Gorgeana de Moraes, Gilberto Gil, Hermínio Bello, Jairo Severiano, Jards Macalé,  João Luiz de Albuquerque, Maria Bethânia, Maria de Moraes, Milton Nascimento  Nana Caymmi, Paloma Amado, Paulo Jobim, Ricardo Cravo Albin, Ronaldo Bastos, Sérgio Cabral, Stella Caymmi e Solange Carybé. Encontra-se na NET, em Philos tv, no menu NOW. MUITO BOMhttp://bit.ly/musicascaymmidigital.

Dorival Caymmi no programa Contra Luz: (Beleza de Caymmi, entrevistado por Hermínio Bello de Carvalho, fala sobre sua vida, sua obra, mostra fotos, abre a famosa maleta, mostra seu misterioso conteúdo, canta, acompanhado por Luiz Eça arrasando no piano, e, só com o violão, várias jóias do seu repertório: https://www.youtube.com/watch?v=qIdUGaaMLco

Documentário sobre Dorival Caymmi : https://www.youtube.com/watch?v=v0pDgyNV09k. Ótimo!

Um certo Dorival Caymmi – Caymmi conta fatos relevantes de sua vida pessoal e profissional, ilustrado por números musicais, iconografia e ficção.”
“A vida e obra do compositor baiano, da sua vinda para o Rio de Janeiro ao envolvimento com outras formas de expressão artística como o cinema e a pinturahttps://www.youtube.com/watch?v=3etVVLKf1m4

Four men on a raft, de Orson Welles com a Suíte dos pescadores: https://www.ouvirmusica.com.br/dorival-caymmi/45589/

Maricotinha Dorival Caymmi & Chico Buarque! : https://www.youtube.com/watch?v=i24kseCONIg

Documentário Dorival Caymmi – Um homem de afetos, Deve entrar na NET brevemente (escrevo em 4/10) O mote do filme é a obra desse artista que transcendeu a existência terrena através do cancioneiro carregado de poesia, beleza e sensibilidade, atributos ratificados por Caetano Veloso em depoimento para este, que já é o terceiro documentário feito sobre o compositor.

Emocionante. Dorival cantando Marina, no Heineken Concerts em 1996, ovacionado pelo público. https://www.youtube.com/watch?v=WnxqklQH88E

Peguei um “Ita” no Norte, e vim pro Rio morar…
O bem do mar, é o mar, é o mar, que carrega com a gente pra gente pescar.
“São muitas, são tantas, são todas tão rosas” – Num roseiral, em Caldas da Rainha, Portugal.

Eu guardo em mim, dois corações, um que é do mar um das paixões, um canto doce, um cheiro de temporal, eu guardo em mim um Deus, um louco um santo um bem um mal.

Gostar de si mesmo, sem egoísmo. Apreciar as pessoas em volta. Cuidar da saúde mental e física. Gostar dos seus horários. Não ficar melancólico, mas guardar na lembrança as melhores coisas da vida. E não abrir mão de ser feliz. A busca da felicidade já justifica a existência.

Preguiça:

No sentido exato da preguiça necessária, sou preguiçoso. A preguiça necessária é quando você tira proveito de se dizer preguiçoso para não perder tempo com bobagem. Às vezes, você pega um camarada com uma conversa que não está interessando e você é obrigado a fazer uma cerimônia, uma cara falsa e eu não sirvo para esse modelo. Nessa hora, a preguiça é necessária. É condenada, é pecado, eu sei. Mas, reparando bem, quando você diz assim: ‘Essa é uma boa hora para não fazer nada’, é uma boa preguiça. A cabeça está funcionando e eu aprendi também – apesar de parecer que sou um falastrão- a ficar calado um certo tempo do dia, me poupando da conversa, de forma que sempre deu um aspecto daquele que não faz nada. Isso é assim: ‘O que é que Dorival faz?’ ‘Nada, é assim, fica parado ali, pega um livro, um lápis, você não ouve nem a fala dele.’ Isso é lembrança que vem desde a infância. Mamãe dizia assim: ‘Onde é que esse menino se meteu?’ E eu estava no quarto, desenhando, fazia um versinho, uma poesia. A preguiça, neste sentido, existe e é necessária. Quando você diz ‘estou com preguiça’, você mesmo se dá o direito de dizer: ‘Vou fugir daqui, sentar num canto e ninguém vai me perguntar nada’. As pessoas já pensam: ‘Não fale muito com esse aí porque é um preguiçoso’. É ótimo. Talvez, se não fosse preguiçoso, teria produzido mais. Quando cheguei à vida profissional, uma das razões que levava o sujeito a se promover era dizer quantas músicas tinha gravado. Mas quem dá crédito e sucesso é o povo. Então, me acostumei a fazer uma música, cantar para mim e gostar. Depois, pegar aquela música e cantar para o povo. Não precisa ter uma obra enorme só para servir de citação. O importante é a qualidade. Sem pretensão, sem máscara, nunca fiz questão da quantidade. Procurei sempre o espontâneo, aquilo que o povo gosta, o que é bonito de dizer. Fazer uma coisa amorosa, bonita, procurar direito as frases. O enjoativo de música é quando se vê que tem muito ‘olhar’, muito ‘você’, é a repetição. Uma certa vagabundagem faz bem. Sem essa vagabundagem não sai.

Caymmi rezava, como parte do seu ritual, a ORAÇÃO DA MANHÃ: Senhor, no início deste dia, venho pedir-te saúde, força, paz e sabedoria. Quero olhar hoje o mundo com olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo, manso e prudente. Quero ver, além das aparências, teus filhos como Tu mesmo os vês, e assim não ver senão o bem em cada um. Fecha os meus ouvidos a toda a calúnia. Guarda a minha língua de toda a maldade. Que só de bênçãos se encha o meu espírito. Que eu seja tão bondoso e alegre, que todos quantos se aproximarem de mim, sintam a tua presença. Senhor, reveste-me da tua beleza, e que, no decurso deste dia, eu Te revele a todos. Amem”

Eu sou apenas um pobre amador…

Não preciso ter influência de ninguém. De quem Tom teve influência para fazer ‘Samba de uma Nota Só’? Como é que uma obra-prima nasce de uma gozação de fim de noite com um amigo que achou engraçado? Ninguém deve fugir de ter aquilo que lhe é particular. Você faz uma canção com o passarinho, aquela mulher passeando na rua, a outra que parou. Já andei desenhando mulheres conversando na feira. Gosto disso. Ela fala, põe as mãos nas cadeiras. Sou janeleiro. As músicas saem desse contato”.

Cinco bastantes
Caymmi e alguns colegas de ofício.
Eu sei que nunca estou sozinho, pois tenho alguém que está pensando em mim.
Braguinha e Caymmi, por Lan.
Artista dos anos 40, por Augusto Rodrigues. Quem identificar mais de cinco ganha uma bolota assim.
por Augusto Rodrigues.
Na Baixa do Sapateiro eu encontrei um dia, a morena mais frajola da Bahia…

Quem não gosta de samba…

Vento que dá na vela/ Vela que leva o barco/ Barco que leva a gente

Ensaio de Maracangalha na casa de Tom Jobim – 1991: https://www.youtube.com/watch?v=fr9-2Wjy2RY

DICA do DEGAS: Suíte dos Pescadores, CD – Dois Atos (Vol.1), do excelente tenor Jean William, no qual escolhi o repertório e fiz a direção artística. À suíte cantada no espetáculo Vinicius e Caymmi no Zum Zum (1965), acrescentei O mar, O bem do mar e É doce morrer no mar,
Com Jean William, Marco Pereira, Jaques Morelenbaum, Mônica Salmaso, Céu, Paula Morelembaun e coro:

https://spoti.fi/2mVtaFEhttps://open.spotify.com/album/1KW9zNLHlpOqXdxHZgLVGe
http://bit.ly/2nxhVUghttps://www.deezer.com/us/artist/1241270


http://bit.ly/2mYfn0Whttps://play.google.com/store/music/album/Jean_William_Dois_Atos_Vol_1?id=Btv5muo3nvzwkloiix3yawyyj4u

http://bit.ly/2mQUGnLhttps://br.napster.com/artist/jean-william/album/dois-atos-volume-1

Não deixe de visitar o acervo Caymmi (Tudo sobre mestre Dorival) : http://portal.jobim.org/pt/acervos-digitais/dorival-caymmi

O Acervo de Dorival Caymmi encontra-se disponibilizado no INSTITUTO ANTONIO CARLOS JOBIM, em ótima companhia!

Pobre de quem acredita na glória e no dinheiro para ser feliz.

SONGBOOKS e PARTITURAS:

• CHEDIAK, Almir. Dorival Caymmi 2 – Songbook – Petrópolis: Lumiar Editora. 1994.

• CHEDIAK, Almir. Dorival Caymmi 1 – Songbook – Petrópolis: Lumiar Editora. 1994.  

O Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB) é uma organização sem fins lucrativos sediada em Niterói – RJ que é voltada para a pesquisa, preservação e promoção da Música Popular Brasileira. Sua missão consiste em documentar, catalogar e divulgar o acervo musical brasileiro, passado e presente, através da manutenção e atualização de um banco de dados virtual. O resultado é um dos maiores arquivos online de informações, sons e imagens da discografia brasileira, disponível na internet para consultas gratuitas. Fundado em 2006, o IMMuB conseguiu mapear e catalogar mais de 82 mil discos produzidos no país. Isto equivale a aproximadamente 580mil fonogramas, reunindo mais de 91 mil compositores e intérpretes. Fruto de 25 anos de pesquisa, a catalogação abrange toda a história da música brasileira, desde a primeira gravação em 1902 até os lançamentos mais recentes. O acervo segue em constante expansão, recebendo centenas de discos, capas e músicas mensalmente. https://immub.org/p/o-instituto.

BIBLIOGRAFIA:

OBS: Grande parte desse material não se encontra mais à venda. Mas, os sebos e a NET estão aí para nos salvar.

CAYMMI, Stella. O que é que a Baiana Tem? – Dorival Caymmi na era do Rádio. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 2013.

RISÉRIO, Antonio. Caymmi:Uma Utopia de Lugar.Bahia: Editora Perspectiva.

DOMINGUES, André. Caymmi sem folclore.São Paulo: Barcarolla. 2009.

SEVERIANO, Jairo. MELLO, Zuza Homem de. A Canção no tempo. 85 anos de músicas brasileiras. Vol. 1. 1901-1957. São Paulo: Editora 34. 1997.

SEVERIANO, Jairo. MELLO, Zuza Homem de. A Canção no tempo. 85 anos de músicas brasileiras. Vol. 2. 1958-1985. São Paulo: Editora 34. 1998.

MARIZ, VASCO.A Canção Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. 1985.

PASSOS, Claribalte. Vultos e Temas da Música Brasileira. Rio de Janeiro: Paralelo. 1972.

TINHORÃO, José Ramos. Pequena história da música popular. São Paulo: Art. 1991.

LISBOA JUNIOR, LUIZ AMÉRICO. 81 Temas da Música Popular Brasileira.Itabuna: Agora Editoria Gráfica Ltda, 2000.

REIS, Aquiles Rique. O gogó de Aquiles. São Paulo. A Girafa Editora. 2004.

MIELE, Luiz Carlos. Poeira de Estrelas. Ediouro. Rio de Janeiro. 2004.

ANDRADE, Mario de. Aspectos da Música Brasileira. São Paulo: Livraria Martins Editora. 1965.

MARTINS, J.B.Antropologia da Música Brasileira. São Paulo: Editora Obelisco. 1978.

BELTRÃO JR, Synval. A musa mulher na canção brasileira. São Paulo: Estação Liberdade. 1993.

VIANNA, Hermano. O mistério do samba. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 1995.

SOUZA, Tarik de. ANDREATO, Elifas. Rostos e Gostos da Música Popular Brasileira. Porto Alegre: L&PM Editores. 1979.

BARBOSA, Valdinha. DEVOS, Anne Marie. Radames Gnattali. O Eterno Experimentador. Rio de Janeiro: Funarte. 1985.

BRITTO, Iêda Marques. Samba na Cidade de São Paulo (1900 – 1930). São Paulo: FFLCH/USP.1981.

Caldeira, Jorge. Noel Rosa. De Costas para o Mar. São Paulo: Editora Brasiliense. 1982.

AZEVEDO, Ricardo. Abençoado & Danado Samba – Um estudo sobre o discurso popular.São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. 2013.

MPB COMPOSITORES – Você e a MPB. Contém biografias, fotos, discografias e CDs. 41 CDs e 40 fascículos. Editora Globo.

“Quando o tema se apresenta, a ponto de ser uma canção, inesperadamente a canção aparece, sai. Eu só faço nessa condição, por isso sou considerado preguiçoso. Eu não faço crianças a não ser espontaneamente, eu não tenho fábrica de canções”.

Quem vem pra beira do mar…
Andei, por andar andei, e todo caminho deu no mar.
E assim adormece esse homem que nunca precisa dormir pra sonhar…
“Caymmi é um anjo” – Radamés Gnatalli.

Amanhã, para mim, deve começar amanhã mesmo.”



Edgard Poças

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